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Mesmo canal, proas opostas: a referência não roda

O bordo da marca e o bordo do barco são referências diferentes quando se regressa.

9 min de leitura
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Uma marca lateral tem um nome relativamente ao sentido convencional de balizagem. Um barco tem bombordo e estibordo relativamente à sua proa.

São duas referências: quando o barco muda de orientação, a marca conserva a identidade, mas pode aparecer do outro lado a bordo. Separar estas referências torna legível uma entrada, uma saída ou uma imagem vista de um ângulo diferente.

Região A e região B em painéis distintos. Seta de sentido convencional para cima em ambos. A: marca de bombordo cilíndrica vermelha, estibordo cónica verde. B: bombordo cilíndrica verde, estibordo cónica vermelha. Dois barcos estáticos têm proas opostas; o sentido e as identidades das marcas não mudam. Sem trajectórias.
Sentido fixo · proas diferentes

Esquema original conceptual, sem escala; casos fictícios, não execução de uma manobra.

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Região A e região B em painéis distintos. Seta de sentido convencional para cima em ambos. A: marca de bombordo cilíndrica vermelha, estibordo cónica verde. B: bombordo cilíndrica verde, estibordo cónica vermelha. Dois barcos estáticos têm proas opostas; o sentido e as identidades das marcas não mudam. Sem trajectórias.

Primeiro a referência do canal

O sentido convencional é normalmente o seguido do mar para um porto, rio ou estuário; também pode ser determinado pela autoridade, em princípio no sentido dos ponteiros do relógio em torno das massas terrestres. A carta e documentação local resolvem qual se aplica.

A seta de sentido convencional declara essa referência. Não é uma seta para o norte geográfico, nem muda com cada barco que circula no canal.

Na região A, bombordo lateral é vermelho e estibordo lateral verde. Na região B, essas cores invertem-se.

A relação das formas mantém-se: cilíndrica para bombordo, cónica para estibordo, com os alvos correspondentes quando instalados. Uma bóia pode usar corpo em fuso ou antena em vez de uma silhueta cilíndrica ou cónica; por isso, forma do corpo e alvo precisam de ser distinguidos.

Caso resolvido: dois barcos, a mesma marca

  1. Nomeie primeiro as marcas usando a seta e a região: vermelha de bombordo; verde de estibordo.
  2. Identifique o bombordo do barco 1: fica à esquerda na planta, junto do lado da marca vermelha.
  3. Rode apenas a silhueta do barco para representar o barco 2. O bombordo fica agora à direita da planta.
  4. Descreva a mudança: a marca vermelha de bombordo lateral aparece do lado de estibordo do barco 2. A identidade da marca não mudou.
RegiãoIdentidade da marcaCorBarco alinhado com a setaBarco em sentido oposto
ABombordo lateralVermelhoA bombordo do barcoA estibordo do barco
AEstibordo lateralVerdeA estibordo do barcoA bombordo do barco
BBombordo lateralVerdeA bombordo do barcoA estibordo do barco
BEstibordo lateralVermelhoA estibordo do barcoA bombordo do barco

A frase que parece certa mas deixa informação de fora

“A bóia vermelha está a bombordo” descreve uma relação com o observador. Pode ser verdadeira num barco e falsa no outro.

“Marca lateral de bombordo da região A” identifica uma categoria relativamente ao sentido convencional. Juntar as frases torna o registo preciso: “marca lateral de bombordo da região A, observada a estibordo do barco com proa oposta ao sentido convencional”.

Ninguém precisa de repintar a bóia para explicar a diferença.

Pode fazer a mesma leitura rodando uma folha com o barco sobre outra com marcas e seta. A rotação altera o bordo do barco que fica voltado para cada marca; conserva a distribuição do canal.

Este exercício torna visível a diferença entre geometria e vocabulário. Se rodar a folha inteira, incluindo a seta, o desenho muda na mesa mas a relação interna permanece: cima da página também não é uma referência universal.

Limites da regra e erros frequentes

  • Não identificar o sentido convencional apenas pela proa ou por “estou a entrar”.
  • Não trocar as formas de bombordo/estibordo quando compara as cores A/B.
  • Não aplicar nomes laterais a uma cardeal por ela aparecer de um lado do barco.
  • Uma marca com faixa de outra cor pode ser uma lateral modificada de bifurcação; precisa da sua leitura própria.

A leitura lateral explica a referência das margens assinaladas. Escolher uma passagem exige ainda carta actual, calado, maré, restrições e situação local.

Guarde três ideias: região determina a combinação de cores; sentido convencional determina os nomes laterais; proa determina os bordos do barco. A lição seguinte sobre bifurcações acrescenta o canal principal sem alterar estas três referências.

IALA R1001, edição 2.0, Junho de 2023: 2.1.1–2.1.5. Em Portugal, RBMN, artigos 4–7, anexo à Portaria 177/2016: sentido convencional e região A. Esta referência nacional não atribui a todos os países uma data comum de aplicação. ↗

Fontes e referências

  1. IALA R1001 — Regions, conventional direction and lateral identification ↗

    IALA · Sections 2.1.1–2.1.5; PDF p.9 onwards; edition 2.0 June 2023.

    IALA recommendation, edition 2.0 June 2023, 2.1.1–2.1.5. Consulted edition does not establish individual national effective dates. Publication and jurisdiction require qualified review.

    Consultada em
  2. IALA R1001 — Lateral marks and preferred channels, Regions A and B ↗

    IALA · Sections 2.1.3–2.1.5; PDF p.10 onwards; edition 2.0 June 2023.

    IALA recommendation, edition 2.0 June 2023, 2.1.3–2.1.5. Consulted edition does not establish individual national effective dates. Publication and jurisdiction require qualified review.

    Consultada em
  3. RBMN — artigo 3: Método de caracterização das marcas ↗

    Diário da República · RBMN annex Article 4; printed p.1979, PDF p.2. RBMN annex Article 5; printed p.1979, PDF p.2. RBMN annex Article 6; printed p.1979, PDF p.2. RBMN annex Article 7; printed p.1979, PDF p.2.

    Annex RBMN Article 4, published text 24 June 2016. Commencement follows Portaria Article5; later national interpretation/updates and local directions require qualified checking. Not treated as automatic adoption of IALA2023. Annex RBMN Article 5, published text 24 June 2016. Commencement follows Portaria Article5; later national interpretation/updates and local directions require qualified checking. Not treated as automatic adoption of IALA2023. Annex RBMN Article 6, published text 24 June 2016. Commencement follows Portaria Article5; later national interpretation/updates and local directions require qualified checking. Not treated as automatic adoption of IALA2023. Annex RBMN Article 7, published text 24 June 2016. Commencement follows Portaria Article5; later national interpretation/updates and local directions require qualified checking. Not treated as automatic adoption of IALA2023.

    Consultada em

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